Herança
há uma mangueira em minha vida
não tive barbies, bicicletas
ou festas de aniversário
só uma velha e frondosa mangueira
a mangueira me deu tudo
e eu nunca soube ser muito infeliz
Sonho de bailarina
da caixa onde vivo
não posso alcançar o teu beijo
e guardo-me encolhida
os braços enlaçando as próprias pernas
os lábios comprimindo o desejo
já faz muito tempo
e esta caixa é minha única sina
mas noites a fio
(esgarçando os dedos de menina)
entremeio cristais e seda fina
e um diáfano vestido teço
para o sonho de ser bailarina
Das circunstâncias
Para Carlos Barbosa
a insanidade me espreita
eu bebo água
lavo o rosto
aparo as unhas dos pés
e leio Caio Fernando Abreu
mais tarde, correrei na praia
até perder a glória de ser triste
Mônica, sua poesia é o que há de mais suave e lírico, mais sensível que conheço. Parece o ar, o voo, o sopro… é a delicadeza de todas as coisas.
Belos, belos. Lá em casa tb tinha um pé de manga, como se dizia. Tantas lembranças. Esse me tocou especialmente!
Bela prévia de MM: fico ansiando pelos outros poemas do livro.